“A morte cria um sentido pra nossa vida. Mais importante que isso, a morte cria um valor especial para o tempo. Se nosso tempo nessa Terra fosse indeterminado, a própria vida perderia o sentido. Muito provavelmente ainda estaríamos com a bunda de fora e com uma lança nas mãos. A morte é o agente mais poderoso da natureza. Ela vem para levar o velho e abrir espaço para o novo. Nosso esforço para evitá-la é fazer a nossa estadia aqui algo minimamente memorável, é o que nos motiva. Ou seja, só existe a vida porque existe a morte.”
Valor
Tenho tido uma ligeira percepção que ultimamente tudo tem me deixado intrigado. Na verdade, isso sempre aconteceu, mas agora parece que as coisas vão para um âmbito/nível completamente diferente. A gente percebe que mudou e se desenvolveu (não digo “se desenvolver” e virar um Einstein, mas de perceber que o tempo passou e você acrescentou um pouco mais de bom senso e de experiência à você, sendo que pra isso foi necessário envelhecer - não que envelhecer seja sinônimo de saber de tudo/ter “conhecimento intelectual para”, mas que esse desenvolvimento requere tempo). Questiono-me constantemente. (Quando digo “questiono-me”, estou me referindo a tantas outras coisas, não apenas a mim.) Faz bem as vezes. Mas em certos momentos é como veneno. Tenho evitado escrever pelo simples de fato de saber que vai acontecer o que está acontecendo neste instante, e neste, e neste… O questionamento.
Vim aqui para tentar “botar pra fora” um pouquinho desse excesso que tem me incomodado, de certa forma. E para refletir sobre algo que ouço e vejo em vários lugares (e as pessoas adoram, riem, etc). (Sim, escrevo também para refletir, não apenas porque já refleti.) O instigante pensamento das pessoas com relação ao seu futuro é, digamos… Instigante.(?) Antagônico e repetitivo, não? (As vezes me sinto um completo idiota por ficar usando a expressão “as pessoas”, “as pessoas”… Em quase todos os textos. Será coincidência? Enfim…)
Se você critica - digo, ao pé da letra, fala mal - a sua própria “futura profissão” (bem hipoteticamente, não é possível afirmar que tal pessoa seguirá e exercerá a profissão que ela está correndo atrás para ter agora), a ponto de dizer que vai ser um (desculpe o termo) “fodido” na vida porque (por exemplo) escolheu fazer a faculdade de Artes. (Escolhi citar a faculdade de Artes pois é a que faço, não porque partilho desta mesma opinião ridícula que citarei agora - sabendo que esta visão [pre]conceitusa se encaixa para outros cursos.)
Engraçado, porque você escolheu então se você concorda com tal pensamento? “Ah não, você leva a vida muito a sério, estou compartilhando essa imagem que mostra que artista vai morar debaixo da ponte porque eu estou apenas descontraindo o dia, haha.” Para mim, compartilhar algo deste gênero é concordar com isso. É dizer que o seu futuro vai ser morar ‘debaixo da ponte’; que não adiantará nada você gastar quase 100 reais por mês de xerox na faculdade e, mais do que isso, todo o seu esforço lá (e antes deste, para chegar lá) foi para morar “debaixo da ponte”. (Então vale mais a pena começar a juntar todo o dinheiro que gastaria na xerox desde já, pelo menos me ajudará no futuro, já que eu sei que vou ser - desculpe o termo novamente - um fodido e morarei debaixo da ponte, não?) É como dizer que você não possui capacidade física, mental e intelectual para correr atrás do que você realmente quer. E se você escolheu tal faculdade/curso porque gosta e acha que seu futuro é “morar debaixo da ponte”, o caso é mais grave ainda; você (quando digo você, estou dizendo de forma geral - mas tenho intuito de aproximar o texto de alguém que, hipoteticamente, se encaixe ao caso ou apenas se identifique) não tem a capacidade de conseguir atingir algum lugar (“algum lugar”, que lugar seria este que tanto falamos nessa “maravilhosa” - ironicamente - sociedade/mundo?) fazendo o que você simplesmente acredita e pensa que gosta.
Então, pense… Se você escolheu este curso e caminho porque gosta, “contrariando” (escolher, também, pelo simples fato de contrariar, é…) todos os pensamentos e propostas maiores e mais tentadoras de outros cursos que (teoricamente) te dariam mais sucesso financeiro (já que boa parte “das pessoas” valoriza - valor, que valor você dá para a sua vida? R$2,75 é caro para pagar no ônibus? Ou é barato demais para carregar a sua vida? - o financeiro - como fiz agora com o exemplo da passagem de ônibus), mostre que você realmente gosta. Se você acredita que realmente gosta disto (de tal coisa) e “corre atrás” (correr atrás, esta expressão é levemente engraçada, porém, útil), você conseguirá atingir algum lugar melhor do que “debaixo da ponte”.
Mas, acredito eu, que o mais instigante (provocante) seria o fato de pessoas mais velhas que estão envolvidas (de certa forma - com suas diferentes maneiras) com a Arte (ou com outra “profissão”) desmerecerem absurdamente sua própria escolha e dizerem (com um ar de ” estou falando com a maior boa vontade do mundo porque eu sou realista e tenho noção do que estou falando”) que: Faz bacharelado? Vai morrer de fome né? Hahaha. Serás um “fodido” na vida, vai ter é que dar aula, por que, Arte? Arte não dá dinheiro.
Acho que isso é mais do que “simplesmente pessoas ‘da vida’ que estão sempre tentando te colocar pra baixo porque, ah, porque as pessoas são extremamente maldosas” (Que isso? estamos na Caverna do Dragão agora? Temos vilões!). Esse discurso é de alguém extremamente decepcionado com a sua escolha e, só porque acha que não conseguiu chegar a “algum lugar” e que, por isso, sabe de toda a verdade e de todas as possibilidades, caminhos e resultados possíveis utilizando a Arte (ou outra profissão). Isso nos torna cegos. Cegos para esquecermos de reparar na gente. Sim, em você, pessoa. Nos seus resultados e, mais do que isso, onde você já chegou até agora e o que conseguiu. O instigante está no fato de; as pessoas que utilizaram este discurso, não moram debaixo da ponte, mas acham que estão “fodidas”. (Porque provavelmente imaginaram que sua vida seria daquelas de cinema, viajando uma vez por mês, para a Europa e outros lugares que boa parte das pessoas gostaria de conhecer. Morando numa cobertura, recebendo um salário absurdamente alto - só que, até para sonhar e imaginar, fazemos isso de forma “errônea” [quem sou eu para afirmar isto, mas, parece-me coerente]; pensamos/imaginamos apenas o resultado e não o processo para chegar até ele)
Pense em você (sobre você). Estamos num mundo onde necessitamos, e somos feitos, de resultados, mas pra isso precisamos percebê-los, por mais que a gente tente escondê-los.
Vida-obra-de-arte
Acho que olhar as batidinhas de pincel do Cézanne (parecidas com as suas) que analisamos na aula de pintura na segunda feira foi como uma gota d’água num copo cheio até a boca, prestes a transbordar.
E transbordou.
Transbordou meu pensamento e a minha relação com a arte. Fiquei abismado com a correlação e a percepção que tive do meu momento atual relacionado ao que eu “era” antes.
Prezava muito pelo preto e branco. Ainda prezo, mas não como antes. Meus desenhos não tinham cor, não tinham amor, diria até que não tinham bondade. E praticamente tudo que eu desenho são coisas que eu estou “cuspindo”, que estão “transbordando” de mim. Como passar a nossa vida-obra-de-arte pro papel.
Só então que me dei conta de que minha vida não havia cor. Como se a cor fosse a peça que faltava do quebra cabeça.
E o engraçado é que a cor era/é você.
É engraçado, mas eu comecei a colocar cor nos meus desenhos quando conheci você. E mais engraçado ainda é que a primeira cor que eu coloquei, nos desenhos em preto e branco, foi o vermelho.
Eu sempre fico abismado comigo mesmo quando tenho essas percepções, parece que não acredito na minha capacidade pra isso. Muitas coisas passam despercebidas pela gente. Mas você eu não poderia passar despercebido. Você trouxe pra mim mais do que aprendizado em Artes. Mais do que abraços e beijos. Você é mais do que isso. Você trouxe cor pra minha vida.
E parece que era o que eu precisava, e ainda preciso.
Sim. De você.
Palmas
Nós temos o estranho hábito de julgar as pessoas a todo instante para tentar “decifrá-las”, simplesmente para tentar compreendê-las. Mas porque nós temos essa necessidade instigante de julgar? Isso é realmente tão necessário?
É realmente tão necessário e tão importante para a sua vida saber se um aluno que você acaba de ver pela primeira vez é feliz ou não?
E você, é feliz? O que é a felicidade?
As vezes eu me arrependo das minhas respostas. Poderia simplesmente ter dado a resposta clichê que todos os alunos dão, mas não, eu falo o que eu realmente acho e me ferro.
Mas e aí? Não se pode mais achar que as coisas são relativas porque tudo depende de n fatores para acontecerem outras coisas?
Não. Não pode.
Não pode falar baixo.
Se você não der uma resposta longa e não contar sua história de vida pra uma pessoa que conheceu há 45 minutos você é “errado”.
Legal essa sociedade e esse nosso pensamento de só existir o certo e o errado.
O bom e o ruim.
Talvez por isso que a gente não saiba direito o que é felicidade.
Se ter argumentos é ser certo, está bem. Argumentarei, então, que quando nós compreendemos verdadeiramente o conceito legalzinho de felicidade, é porque estamos prestes e prontos (preparados) para morrer. Antes disso, não dá pra afirmar, por mais que discordemos e achemos que encontramos a felicidade e acreditemos que saibamos o que.
A vida é toda uma trajetória que nós criamos e fazemos com nossas escolhas. A vida é como uma obra de arte em que criamos aos pouquinhos, onde expressamos nossas sensações e experiências. Assim como a felicidade tem, acredito eu, sua trajetória para acharmos que somos felizes até realmente conseguirmos entendê-la.
Wake Up
E numa época em que o comodismo dominava, existia um ser vivo, um animal. Era um pouco diferente dos demais mas aparentemente queria ser mais diferente ainda. Tentava se demonstrar mais superior do que tudo e todos. Mostrava, erroneamente, ser mais importante do que tudo que existe, mas muitos desses animais esqueciam que tudo que existe não era apenas o que estava ao seu redor e ao alcance dos seus olhos. Por ser cego neste ponto, resolvia se achar o dono de tudo.
Sua vida passara a ser cada vez mais ligada a tecnologia. Certos aparelhos criados por uma determinada “classe” desse animal passaram a ser tão essenciais que pareciam ser órgãos vitais. Mas no fundo, não eram tão necessários assim, daria para viver sem eles. Porém, seus hábito se atrelaram ao vício por essa “magia” denominada por eles como tecnologia, que era um tanto quanto artística em certos pontos.
Tinham um estranho hábito de se cobrir com pedaços de tecido moldados com o formato do seu corpo. Para as patas que usavam para caminhar, existia um tipo de dispositivo que as protegia, o material variava, assim como a cor e o tamanho, talvez houvesse um tipo para determinada ocasião. Suas moradias eram extremamente curiosas. Eles mesmos as construíam, com diversos materiais, parecia complexo fazê-las. Poderiam ter diversos tamanhos e eram segmentadas em áreas onde cada uma era destinada para um tipo de tarefa. Dormiam em um outro dispositivo criado por eles, comumente feito de madeira, possuía quatro pernas que sustentava um longo corpo que ficava deitado, na horizontal. Em cima disso, havia um bloco retangular, como uma esponja, bem resistente, porém, bastante macio, o suficiente para sustentar seu peso. Saiam de suas moradias pela manhã para executar tarefas que no final de um determinado período os rendiam um determinado material que aguçava alguns de seus “sentidos” e fazia com que se achassem mais poderosos por possuir esse papel mágico. Era como um passaporte que o permitisse ter qualquer coisa que aparentemente deixasse-o feliz.
Ao sair e andar pelas ruas, os machos, que se cobriam com pelo menos três pedaços de tecido moldado, sendo que um deles acabava sendo coberto por outro pedaço de tecido, era usado para proteger seus órgãos genitais, e o dispositivo de proteção para patas de caminhar. Já as fêmeas, poderiam usar menos pedaços, além dos de proteção. Variava entre um longo pedaço moldado que cobriria boa parte do corpo ou algo parecido com o formato que os machos usavam, um pedaço para a parte de cima do corpo e outro para a parte de baixo. Mas o instigante era que ao andarem pelas ruas, quase todos olhavam uns para os outros, analisavam da forma mais discreta possível a vestimenta dos que passavam ou então de forma descarada. Os machos analisavam algo mais, gostavam de olhar para a parte “traseira” das fêmeas, além dos seios, que alguns tentavam olhar discretamente. Já as fêmeas, boa parte delas, olhavam discretamente para os machos, tentavam não transparecer nos seus semblantes o que pensavam. Eram apenas animais analisando uns aos outros, mas eles não se davam conta disso.
O mais curioso disso tudo, é que ser chamado de animal é uma ofensa para eles. Mostrando que querem mais do que nunca se distinguir de todos pelo simples fato de “pensar”. Talvez seja um dom, uma habilidade destinada a eles por algum motivo especial.Porém, viam como se isso fosse um trunfo que tornava-os donos de tudo. Mas o tudo deles se limita ao Mundo, que nem isso é apenas deles. Mundo este que está sendo devastado por esse animal, mas que poucos deles percebem o mal que fazem a si. Reclamam dos problemas, sendo que os problemas foram gerados por eles, isso para não dizer que eles que são o problema. Afinal o que se deve fazer agora se essa espécie acha que está no controle de tudo que existe mas não tem noção da sua insignificância diante de tudo que verdadeiramente existe?
Blog ou Twitter?
“Um blog é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts. Muitos blogs fornecem comentários ou notícias sobre um assunto em particular; outros funcionam mais como diários online. Um blog típico combina texto, imagens e links para outros blogs, páginas da Web e mídias relacionadas a seu tema. A capacidade de leitores deixarem comentários de forma a interagir com o autor e outros leitores é uma parte importante de muitos blogs.”
Tumblr: Você está usando isso errado. Existe um site criado exclusivamente para pequenas observação e compartilhamento de GIF’s perturbadores, esse site é o twitter.
Por favor, vamos usar esse espaço um pouco mais elaborado que o Twitter para postar algum pensamento, alguma foto ou desenho de autoria própria. Não se prendam ao pensamento de que é mais fácil achar alguma coisa pronta explicando seu pensamento. Expresse seu pensamento, desenhe seu pensamento, fotografe seu pensamento. Nenhuma imagem compartilhada se aproxima da qualidade da sua ideia quando retratada por você mesmo.
“Não merece o doce quem nunca provou do amargo”
As vezes penso se devo procurar um médico para dar uma justificativa para a minha insônia, mas eu odeio médicos, você sabe. Ficar sem dormir é desconfortável, prejudica a minha coluna mais ainda, pois acabo ficando nessa cadeira estranha do computador. Mas até que não é tão ruim assim ficar acordado de madrugada, ouvindo o maravilhoso silêncio. Além disso, tenho a doce ilusão de que ficar acordado é sinônimo de estar aproveitando a vida. Talvez não seja uma ilusão, poderia ser algo “real” se eu não ficasse este tempo aqui sentado nessa cadeira.
Como tenho pensado muito, toda coisa que tem acontecido eu tento acreditar que é meio que “proposital”, como se eu devesse tirar uma lição de cada fato para acumular como experiência para minha vida. E as vezes dá certo.
Ficar acordado por muito tempo tem me rendido bons textos, bons pensamentos. Mas estou me sentindo mais fraco, por dentro. Talvez sejam as minhas fraquezas corporais afetando minha “mente”. Mas do jeito que tenho andado, até aceito isso mesmo sendo ruim, desde que, se acontecer uma “catástrofe”, antes dela dê tempo deu fazer o que acho que devo fazer.



